Publicado por: Lílian. | 5 janeiro, 2009

Por dinheiro ou por prazer

Ainda não moro em Goiânia. Moro na Aparecida dela.

Moro em um bairro que só é notícia quando se fala em assassinatos ou então do misterioso senhor de 60/65 anos de idade que ganhou sozinho na Mega-Sena em 2007. Ainda não entendi o que classifica a lotérica do Bairro Ilda como pauta. Desconfio que o prêmio tenha saído para dois bilhetes da mesma lotérica. [preguiça de verificar] Mas mesmo assim, só porque isso aconteceu, todo ano vão fazer matérias na mesma lotérica?

Enfim. Vou postar o que me intriga: há, aproximadamente, um ano duas moças se instalaram na casa em frente a minha. Elas são autônomas em um negócio que não é bem-visto pela sociedade: prostituição.

Nada contra. Elas ganham a vida como querem e eu não tenho nada a ver com isso. O que me intriga, na realidade, são os clientes das minhas vizinhas. Não importa a data, não importa a hora, tem sempre alguém. Natal, Ano-Novo, tanto faz.

Renato Spencer

Fotografia: Renato Spencer

E como o nosso bairro não é 5 estrelas, então os clientes também estão longe de ser. Outro dia, chegando do trabalho, um homem trajando somente um calção e um sorriso do rosto saiu triunfante de lá, passando pela nossa porta. A aparência dele era meio nojenta, sabe? Não sei precisar se era mesmo a aparência ou o fato de que ele exibia a carteira enquanto saía de casa, orgulhoso por poder pagar uma puta.

Daí eu penso nos tipos de homens que devem aparecer por aqui. Deve ter de tudo, né? Desde o carente até o brutamontes que acha que pode tudo porque tá pagando. E como a rotatividade é intensa, eu também penso no que elas devem pensar. Mas eu realmente não c0nsigo fazer esse exercício de alteridade. Porque eu sinto que eu não conseguiria abrir mão de tanta coisa para ganhar dinheiro vendendo sexo. E sendo pisoteada, desrespeitada, usada. Não, não consigo.

P.S: Isso me lembra a reportagem da Lillian Bento, que ganhou o prêmio do 1° Concurso de Jornalismo e Gênero da América Latina:
O perigoso convívio entre prostituição e violência em Goiânia.

P.S.2: Também me lembra a música Damas da Noite, do Wander Wildner:

Eu vejo mulheres na chuva da noite,
entregando seus corpos pra qualquer um
À velhos e gordos mais podres que a noite, que a noite
Encostadas nos postes, nas rodoviárias
sentadas nas sujas sarjetas da Osvaldo
Entregando seus corpos pra qualquer um, qualquer um
Eu admiro as mulheres que usam seus homens
Fazem de tudo o que querem por dinheiro ou prazer
As duas da tarde, cinco da manhã
no carro, na cama, em qualquer lugar
Sempre a postos pra saciar alguém, alguém
Eu admiro as mulheres que usam seus homens
fazem de tudo o que querem por dinheiro ou prazer
São maquinas de sexo e de prazer
é tudo tão fácil pra você gozar
Estão sempre prontas pro que vier, quem vier
Eu admiro as mulheres que usam seus homens
fazem de tudo o que querem por dinheiro ou prazer

P.S.3 (E não menos importante): Faxinai-vos!

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Responses

  1. Infelizmente existe essas frutas podres… e infelizmente existe quem compra essas frutas podres.

  2. Eis a questão.
    Se vender por uma profissao que te dá dinheiro mas não te dá prazer, entrar de cabeça em algo que te dá prazer mas não dá dinheiro, ou sentir prazer masoquista por sofrer numa profissao que não te dá retorno de espécie alguma???? Logo, se a minha satisfação está ligada ao dinheiro isso me leva a pensar que eu já sou uma puta jornalista. heehe…

    * ótimo texto!

  3. […] pra saciar alguém, alguém. Eu admiro as mulheres que usam seus homens … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  4. É uma situação constragedora, e nojenta. Mas não é só essa prostituição paga que assusta, e sim a legal… aquela de ficar com qualquer um, por pura aventura, paga simplesmente pelo prazer… e o amor? onquefica?!

    Beijos

  5. Lilian, gostei do seu blog. Essa sensação que você descreve senti muitas vezes nos três meses de apuração dessa matéria q vc cita ai, do prêmio na Argentina. Mas existe um outro lado da história que ninguém fala e que eu consegui ver nesse tempo que são as mulheres sensíveis que existem atras dessas prostitutas. EU tbém não conseguiria tamanho exercício de alteridade, como vc diz, mas acho que falta muita coisa pra elas. Como atenção mesmo em questões básicas de saúde, violência e tudo mais. Eu continuo este trabalho agora com um livro, se quiser um dia participar e entrevistá-las também está convidada.

    Abraços,

    Lillian

  6. […] por sofrer numa profissao que não te dá retorno de espécie alguma? … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  7. Olá m chamo Paula , tenho 29 anos , sou Gordinha , tenho 78 kls , mas acima de td sou bonita.
    Quero homens de alto nivel , não sou prostituta , mas no momento estou passando por dificuldades.
    Quem sabe , depois de um encontro pode rolar algo ha mais, tenho meus limites, pq não sou vulgar.
    Me valorizo, quero homens de boa aparencias, com bom halito e acima de td bem Perfumado.
    Fone p contatos : (Censurado)


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